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Fora de jogo: a regra explicada com exemplos

Um jogador está em posição de fora de jogo quando, no momento em que um colega joga ou toca na bola, qualquer parte da cabeça, do corpo ou dos pés está na metade do adversário e mais perto da linha de golo adversária do que a bola e do que o penúltimo adversário. Estar em posição de fora de jogo não é falta: só é punido se intervier na jogada.

O que diz a Lei 11?

A Lei 11 das Leis do Jogo, publicadas pelo International Football Association Board (IFAB), separa duas ideias que muita gente mistura: a posição de fora de jogo e a infração de fora de jogo. A primeira é apenas uma situação no relvado. A segunda só existe quando um jogador que está nessa posição se torna ativo na jogada.

O texto da Lei diz expressamente que estar em posição de fora de jogo não é uma infração. O árbitro e os árbitros assistentes só intervêm quando o jogador em posição irregular participa na jogada de uma das formas previstas. Quando isso acontece, é assinalado um livre indireto a favor da equipa adversária, no local da infração, isto é, onde o jogador interveio.

Quando é que se está em posição de fora de jogo?

Há três condições que têm de ser verdadeiras ao mesmo tempo:

  1. Alguma parte da cabeça, do corpo ou dos pés está na metade do campo do adversário (a linha de meio-campo não conta como metade adversária).
  2. Essa parte do corpo está mais perto da linha de golo adversária do que a bola.
  3. Essa parte do corpo está também mais perto da linha de golo adversária do que o penúltimo adversário.

O guarda-redes não tem papel especial: o «penúltimo adversário» é simplesmente o segundo adversário mais recuado, seja ele o guarda-redes ou um jogador de campo. Na maior parte dos lances, o último adversário é o guarda-redes e o penúltimo é o defesa mais recuado, mas não tem de ser assim. Se o guarda-redes tiver saído da baliza e houver dois defesas mais atrás, são esses dois que contam.

Há ainda uma situação que protege o atacante: estar ao nível. Um jogador ao nível do penúltimo adversário, ou ao nível dos dois últimos adversários, não está em posição de fora de jogo. Basta que esteja alinhado com o defesa; não precisa de estar atrás.

Posição de fora de jogo é aquilo que se avalia no momento em que a bola é jogada por um colega. Depois do passe, o atacante pode correr livremente: o que conta é onde ele estava nesse instante.

Fora de jogo: o atacante A está mais perto da linha de golo do que a bola e do que o penúltimo adversário; B e C não estão em posição de fora de jogo. linha de golo adversárialinha do penúltimo adversáriopasseGRDDACBPA: em posição de fora de jogoC: ao nível do penúltimoB: atrás da linhaD: penúltimo adversárioA linha de meio-campo está mais abaixo, fora do quadro.
Lei 11: o atacante A está mais perto da linha de golo do que a bola e do que o penúltimo adversário (D). C está ao nível e B está atrás da linha, por isso nenhum dos dois está em posição de fora de jogo.

Que partes do corpo contam?

Para decidir a posição, contam a cabeça, o tronco e os pés. As mãos e os braços não contam, para nenhum jogador, guarda-redes incluídos. Para este efeito, o limite superior do braço fica ao nível da base da axila: o que está acima dessa linha, como o ombro, faz parte do corpo e conta. Isto significa que um atacante pode ter o braço esticado para a frente, para lá da linha do defesa, sem que isso o coloque em posição de fora de jogo, desde que cabeça, tronco e pés não estejam adiantados.

Na prática, o que o árbitro assistente observa é a linha formada pelas partes do corpo com que se pode jogar a bola e marcar golo na posição: um pé, o joelho, o peito, a cabeça. Um braço adiantado, por si só, nunca decide a posição.

Partes do corpo no fora de jogo: cabeça, tronco e pés contam; mãos e braços não contam.linha do penúltimoBraço adiantado: não contaRegularCabeça, tronco ou pé adiantados: contamEm posição de fora de jogo
À esquerda, só o braço passa a linha do penúltimo adversário: não conta. À direita, a cabeça e o tronco passam a linha: contam.

Quando é que a posição se torna infração?

Um jogador em posição de fora de jogo só é punido se, no momento em que a bola é jogada ou tocada por um colega, se tornar ativo na jogada. A Lei descreve três maneiras:

  • Interferir no jogo: jogar ou tocar na bola que um colega lhe passou ou tocou.
  • Interferir num adversário: tapar-lhe a linha de visão, disputar-lhe a bola, tentar claramente jogar uma bola próxima de forma que afete o adversário, ou fazer uma ação evidente que afete claramente a capacidade de o adversário jogar a bola.
  • Ganhar vantagem: jogar a bola, ou interferir num adversário, depois de a bola ter ressaltado ou sido desviada pelo poste, pela barra, por um árbitro ou por um adversário, ou depois de ter sido defendida de propósito por um adversário.

Para decidir se um jogador «jogou» ou «tocou» na bola, usa-se o primeiro ponto de contacto. Se o guarda-redes lançar a bola com a mão, usa-se o último ponto de contacto.

Exemplos concretos

1. Atacante adiantado que não toca na bola

Um avançado está claramente mais perto da baliza do que o penúltimo defesa quando o colega lança o passe longo. Mas é outro colega, bem colocado, quem recebe e remata. O primeiro avançado não tocou na bola, não tapou a visão de ninguém nem disputou a bola. Não há infração e o jogo continua.

2. Atacante que tapa a visão do guarda-redes

O avançado está em posição de fora de jogo e fica parado em frente ao guarda-redes no momento do remate de um colega, tapando-lhe a linha de visão. Mesmo sem tocar na bola, interferiu num adversário. É fora de jogo e é assinalado livre indireto.

3. Bola devolvida pelo poste

O remate de um colega bate no poste e a bola regressa ao campo. Um atacante que estava em posição de fora de jogo no momento do remate joga a bola e marca. Ganhou vantagem ao jogar uma bola que ressaltou do poste. O golo não é válido.

4. Passe intencional do adversário

Um defesa decide jogar a bola com a intenção de a passar a um colega, de a recuperar ou de a afastar, mesmo que o passe saia mal. Um atacante que estava em posição de fora de jogo e recebe a bola desse defesa não ganhou vantagem por estar adiantado, a não ser que o defesa tenha feito uma defesa deliberada, isto é, tenha tentado parar uma bola que ia para a baliza ou muito perto dela. A Lei trata como jogo deliberado as situações em que o defesa tem controlo da bola e possibilidade de a passar, ganhar a posse ou afastá-la.

5. Receber a bola diretamente de um pontapé de canto

Um atacante está muito adiantado quando o colega bate o pontapé de canto e recebe a bola diretamente. Não há infração de fora de jogo, porque a Lei exclui esta situação.

Quando nunca há fora de jogo?

Não há infração de fora de jogo se o jogador receber a bola diretamente de:

  • um pontapé de baliza;
  • um lançamento de linha lateral;
  • um pontapé de canto.

E há mais um ponto que se esquece muitas vezes: o fora de jogo só pode acontecer na metade do adversário. Quem está na sua própria metade não está em posição de fora de jogo, por muito adiantado que esteja em relação aos adversários.

Que situações pouco frequentes a Lei também trata?

A Lei 11 prevê alguns casos menos habituais, que ajudam a perceber o espírito da regra:

  • Defesa fora do campo: se um defesa sai do terreno de jogo sem autorização, passa a ser considerado como estando sobre a linha de golo ou sobre a linha lateral para efeitos de fora de jogo, até à próxima paragem de jogo ou até a equipa defensora jogar a bola em direção à linha de meio-campo e ela estar fora da sua área de grande penalidade. Se a saída foi deliberada, o jogador é advertido quando a bola sair de jogo.
  • Atacante fora do campo: um atacante pode sair ou ficar fora do campo para não participar na jogada. Se voltar a entrar e intervier antes de se cumprirem as condições acima, é tratado como estando sobre a linha de golo. Se saiu e voltou a entrar de propósito, sem autorização, e ganhou vantagem, é advertido.
  • Atacante parado dentro da baliza: se um atacante está parado entre os postes, dentro da baliza, quando a bola entra, o golo é concedido, a não ser que o jogador cometa fora de jogo ou uma infração prevista na Lei 12; nesse caso o jogo recomeça com um livre.

E quando o atacante é derrubado?

Se um atacante em posição de fora de jogo sofrer uma falta antes de jogar ou tentar jogar a bola, ou de a disputar, a falta é punida. Se a falta acontecer quando ele já está a jogar ou a disputar a bola, é primeiro punido o fora de jogo. Se um atacante em posição irregular se meter no caminho de um adversário e o impedir de avançar ou de jogar a bola, o árbitro pune a obstrução ao abrigo da Lei 12.

O que acontece depois do fora de jogo?

A sanção é um livre indireto para a equipa adversária, marcado no local da infração, mesmo que seja na metade do jogador que cometeu a infração. Como é indireto, não se pode marcar golo diretamente: a bola tem de tocar noutro jogador antes de entrar. O árbitro indica-o com o braço levantado acima da cabeça. Para ver a diferença para as faltas físicas, que costumam dar livre direto, lê o artigo sobre livre direto e livre indireto.

Erros comuns

  • «Estar adiantado é fora de jogo.» Não é. Só é infração se o jogador intervier na jogada.
  • «A mão ou o braço adiantado dá fora de jogo.» Não: mãos e braços não contam para a posição.
  • «Estar ao nível é fora de jogo.» Não: o jogador ao nível do penúltimo adversário não está em posição de fora de jogo.
  • «O fora de jogo conta no pontapé de canto e no lançamento de linha lateral.» Não: nesses recomeços e no pontapé de baliza não há infração de fora de jogo.
  • «Conta onde o atacante está quando recebe a bola.» Não: conta onde estava no momento em que o colega jogou ou tocou na bola.
  • «O guarda-redes é sempre um dos dois últimos adversários.» Não: contam os dois adversários mais recuados, quem quer que sejam.

E o VAR?

Em competições que usam o VAR, a posição dos jogadores num golo pode ser verificada. Mas a Lei é a mesma e a decisão continua a ser do árbitro. Para perceber o que o VAR pode e não pode rever, lê o artigo sobre o VAR. A relação com o braço também é frequente: quando um golo resulta de um toque com o braço, aplica-se a Lei 12, explicada em mão na bola.

Diferenças entre competições

As Leis do Jogo são as mesmas para todos os jogos de futebol de onze, mas cada competição pode adotar ou não tecnologia, como o VAR. Se o jogo que acompanhas não usa VAR, decidem apenas o árbitro e a equipa de arbitragem em campo. Para regras específicas de futsal ou de escalões jovens, consulta os regulamentos oficiais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF); este artigo trata apenas da Lei 11 do futebol de onze.

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